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Área de atuação

Direito Previdenciário — INSS

Indeferimento não significa ausência de direito. O fundamento da negativa é o que define o caminho.

Boa parte das negativas do INSS não decorre da falta do direito, mas de falhas no caminho até ele: documento não juntado, período de contribuição que não foi computado, vínculo ausente no CNIS, ou perícia que não captou a extensão real do quadro clínico. São situações corrigíveis, e o primeiro passo é sempre o mesmo — ler a carta de indeferimento ao lado do extrato de contribuições.

Aposentadorias

FundamentaçãoEmenda Constitucional nº 103/2019 · Lei nº 8.213/91 · Lei nº 8.742/93 · Lei nº 14.176/2021

A Emenda Constitucional nº 103/2019 alterou substancialmente os requisitos de idade, tempo de contribuição e cálculo do benefício, e criou regras de transição para quem já contribuía antes da sua vigência. A consequência prática é que dois segurados com históricos parecidos podem ter direito a benefícios de valores bem diferentes, dependendo da regra aplicável a cada um.

A análise passa por verificar qual regra é mais vantajosa no caso concreto, se há períodos de atividade especial a serem convertidos, e se todos os vínculos constam corretamente do CNIS. Divergência entre a carteira de trabalho e o CNIS é frequente e afeta diretamente o valor.

Auxílio por incapacidade e aposentadoria por incapacidade permanente

A Lei nº 8.213/91 exige incapacidade para o trabalho, carência — dispensada em determinadas hipóteses, como acidente e algumas doenças listadas em ato normativo — e qualidade de segurado. A conclusão da perícia médica do INSS não é definitiva: pode ser contestada administrativamente e revista judicialmente, com produção de prova pericial no processo.

Documentação médica organizada faz diferença concreta — laudos, exames, relatórios de acompanhamento e histórico de afastamentos, em ordem cronológica.

BPC/LOAS

O Benefício de Prestação Continuada, previsto na Lei nº 8.742/93, é assistencial: não exige contribuição. Destina-se à pessoa idosa a partir de 65 anos ou à pessoa com deficiência, em ambos os casos com comprovação de vulnerabilidade social. O critério de renda familiar per capita do art. 20, § 3º admite, desde a Lei nº 14.176/2021, ampliação em situações específicas mediante análise de outros elementos de vulnerabilidade — o que amplia hipóteses antes recusadas de plano.

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Revisões

Erro no cálculo da renda mensal inicial, desconsideração de período de atividade especial, tempo rural não computado e vínculos ausentes são hipóteses típicas de revisão. Há um limite temporal a observar: o art. 103 da Lei nº 8.213/91 fixa prazo decadencial de dez anos para a revisão do ato de concessão, contado do primeiro dia do mês seguinte ao do recebimento da primeira prestação. As parcelas atrasadas sujeitam-se à prescrição quinquenal.

Os dois caminhos

Administrativo. Da decisão de indeferimento cabe recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social, no prazo de trinta dias da ciência. É gratuito, dispensa advogado e, em casos de negativa por questão documental, costuma ser o percurso mais curto.

Judicial. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 631.240 (Tema 350), assentou a exigência de prévio requerimento administrativo como condição para o acesso à via judicial, ressalvadas hipóteses específicas. Na prática: sem passar pelo INSS antes, a ação tende a ser extinta sem análise do mérito.

O que trazer para a primeira conversa

Carta de indeferimento, extrato do CNIS, carteira de trabalho, carnês de contribuição quando houver, e a documentação médica completa nos casos de incapacidade. Com esse conjunto é possível avaliar a viabilidade e indicar o caminho — inclusive quando a conclusão for que não há fundamento que justifique a demanda.

Cada caso depende dos documentos e das circunstâncias individuais. Não há resultado que se possa antecipar a partir do enquadramento geral.

Perguntas frequentes

O INSS negou meu benefício. Ainda posso conseguir?

Sim, na maior parte dos casos. Boa parte das negativas decorre de falha documental, vínculo ausente no CNIS ou perícia que não captou a extensão do quadro — situações corrigíveis por recurso administrativo em 30 dias ou por via judicial.

Preciso pedir no INSS antes de entrar na Justiça?

Em regra sim. O STF, no RE 631.240 (Tema 350), assentou a exigência de prévio requerimento administrativo, ressalvadas hipóteses específicas. Sem isso, a ação tende a ser extinta sem exame do mérito.

Tenho prazo para pedir revisão da minha aposentadoria?

Sim. O art. 103 da Lei nº 8.213/91 fixa dez anos de decadência para revisar o ato de concessão, contados do primeiro dia do mês seguinte ao recebimento da primeira prestação. As parcelas atrasadas sujeitam-se à prescrição de cinco anos.

Redigido por Jonas Cândido da Silva, advogado — OAB/MT nº 16.552.